Monday, August 11, 2008

A vida é a arte do encontro - e do reencontro

Neste fim-de-semana passado estive em Halifax, Nova Escócia, uma das províncias marítimas do Canadá. Já lá havia estado, há exatos vinte anos, quando vivia na cidade de Québec e estudava na Universidade Laval.

No período de um ano em que vivi no Canadá, morei com dois canadenses de origem inglesa, também eles matriculados no programa de francês da Laval. Durante quase um ano dividimos um apartamento perto da Universidade, frequentamos as aulas de francês e, a melhor parte, nos divertimos a valer nas festas da estudantada despreocupada e cheia de energia. Pode haver combinação melhor? E foram tempos memoráveis: vida de estudante, dinheiro (curto) de estudante, histórias a aventuras de estudante. Incrível como um período de menos de um ano produziu memórias que perduram até hoje. Tinha eu 20 anos de idade; Greg e Andrew um pouco mais velhos (menos moços, no caso).

Depois do período quebequense, ainda mantivemos esporádica correspondência, com algumas poucas cartas e notícias sobre a vida e o percurso que cada um tomou. Posteriormente veio a internet e acabamos nos encontrando graças às ferramentas de busca, o que possibilitou a retomada do diálogo já quase perdido. Quando da minha mudança para Nova York ano passado, retomamos a conversa e combinamos um encontro aqui ou no Canadá, em local onde pudéssemos abrir o baú das lembranças e das aventuras quebequenses. E finalmente, depois de vinte anos, nos reencontramos em Halifax no último fim-de-semana. Foi um encontro memorável. Conheci as respectivas esposas e filhos, sogra, cunhados, sobrinhos e mães. Já não tenho mais vinte anos, Greg já quase não tem cabelos e Andrew continua o moleque de sempre, apesar de mulher e três filhos.

As distâncias entre o Brasil e o Canadá adiaram o reencontro da "banda" por duas décadas, mas a retomada da partitura deixada em Québec, em 1988, mostrou que o bom da vida são mesmo os amigos e os reencontros. Agora ninguém mais nos segura. Vai ter tournée desta banda sempre que possível, seja em Nova York, Vancouver ou Rio de Janeiro. Em 1988 éramos tão jovens e tão despreocupados com a vida (oh fortuna!) que sequer tínhamos a noção de que o tempo passa - e rápido. Tivesse eu a noção da velocidade do tempo, teria tomado mais um drinque e aumentado o som.

Friday, August 1, 2008

Bruno Tolentino

"Os maiores dentre os filósofos de nossa era, desde a confusa aurora oitocentesca (a mais sangrenta Morgenröte que houvesse jamais conhecido a humanidade), tiveram sempre razão ao menos num ponto em que coincidem todos: a "morte de Deus" não produz o advento do super-homem, é uma mentira do Zaratustra alemão; o que ela produz, como se vem verificando ao longo deste nosso curto e enfatuado século, é o sistemático e sintomático massacre do homem pelo rato."

Bruno Tolentino