Os muitos compromissos profissionais e sociais me impediram de manter o blog atualizado como gostaria. E muita coisa interessante aconteceu aqui no período. Não apenas do ponto de vista do calendário eleitoral americano - agora em fase de engajada campanha, após as convenções partidárias que consolidaram os respectivos candidatos à Casa Branca.
O verão este ano foi bastante ameno e mais curto que o anterior. Confesso quase não ter sentido calor, exceção apenas ao momento em que se adentra as estações do Metro - essas, sim, sempre muito quentes e sujas. As estações do Metro, aliás, com raras exceções, são a personificação do terceiro mundo em plena Nova York. E não falo dos países emergentes, categoria que atualmente goza de boa reputação aos olhos dos especialistas em mercados promissores e economias em ascensão, caso do Brasil. Falo daqueles países pobres mesmo; aqueles que encarnam a perfeita estereotipia do desafortunado. E as estações do Metro de Nova York são o retrato do terceiro mundo em plena Manhattan. Quase sempre sujas, mal conservadas, são o resultado de uma cidade que não pode se dar ao luxo de parar para reformar-se. É preciso trocar o pneu com a bicicleta andando. Os reparos ocorrem com as pessoas circulando, numa alegoria viva do frenesi que é a vida nesta cidade eletrizante. O Metro funciona muito bem, reconheça-se; é o mais rápido e eficiente meio de transporte. Mas enquanto o trem não chega e se nos abre a porta salvadora do ar-condicionado, a gente padece, como uma espécie de pedágio cobrado a todos, indistintamente, pelo simples privilégio de morar numa cidade tão espetacular. E esses poucos (e longos) minutos de espera servem também para chamar a atenção para o caldeirão das gentes, das multidões de imigrantes e trabalhadores que entram e saem da cidade a toda hora, de todo lado, para todo lugar. Há de tudo no Metro - até tédio. Dependendo da linha, pode-se ouvir desde quartetos super afinados até os malucos de toda ordem. Nos poucos minutos gastos no Metro tem-se a experiência do convívio com o diferente, o engraçado e o bizarro. Mas o melhor mesmo é sair de lá, voltar à superfície, onde a cidade borbulha de verdade. E aqui fora a coisa melhora bastante, ainda bem.
Dizem os americanos de outros estados que o metro em NY é caótico porque caóticos são os seus usuários. Pode ser. Não deixa de ser uma afirmação com marcado tom de xenofobismo, mas pode ter a sua verdade. Sei lá. O fato é que encaro o Metro como uma espécie de ascese, um curto período em que saio da confortável bolha institucional e social em que vivo e caio na vala comum dos anônimos e desconhecidos. Não é cômodo, nem fácil (tampouco cheiroso), mas tem sua utilidade pelo choque de realidade que proporciona.
Wednesday, September 10, 2008
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