Monday, July 28, 2008

Uma rede na varanda

Sem saber por qual assunto iniciar este blog, afinal pretendo opinar sobre variados assuntos - sem quaisquer pretensões e preocupações acadêmicas -, como que dando pinceladas aleatórias sobre determinados temas, sejam musicais, políticos, filosóficos ou gastronômicos (afinal, também de pão vive o homem).

A freqüencia dos posts deverá variar conforme minha disponibilidade de tempo e sobretudo de inspiração. A vontade de escrever sempre existiu, mas o impulso era contido pelo excesso de autocrítica, sobretudo pelo fato de meus amigos (e colegas) mais chegados dominarem a pena com bastante mais galhardia do que eu. E nada me aterroriza mais que o ridículo, o pretensioso, o vazio de contéudo. E conteúdo é a coisa mais difícil hoje em dia. A internet nos oferece uma montanha de informações diariamente, mas toda essa informação disponível não nos torna mais preparados, apenas nos sufoca com notícias, editoriais, comentários e análises que não temos tempo para ler nem disposição para processar.

Por outro lado, o impulso de escrever é semelhante ao impulso da procriação, da projeção da identidade no tempo. Grande parte das conquistas (e tragédias) humanas decorrem dessa força atávica de vontade de permanência, de imortalidade. Essa é a força mais primitiva do homem, a força da biologia, dos genes que se querem perpetuar. Enfim, escrever é um impulso que, no meu caso, tem sido refreado pelo excesso de zelo. Escrever para quê? Não tenho nada a dizer. Tudo já está dito. Não há nada a acrescentar. Mas, escrever é um exercício cerebral e físico, e daí pode nascer a arte. E a arte pode salvar as pessoas: salvar não no sentido religioso, mas no sentido da expressão da alma, da visão que se tem do mundo e das coisas. Gostaria muitíssimo de poder fazer arte (sobretudo música), porque pela música parte da beleza se manifesta. E a beleza salva o mundo. Sem talento para fazer arte, pretendo apenas conversar comigo mesmo (por escrito) e com aqueles que porventura passem por este espaço virtual.

Como resido atualmente fora do Brasil, a distância da família e dos amigos não permite aquela troca constante de opiniões, seja na esfera familiar, seja no espaço público e das amizades mais próximas. Por isso, e em razão de solicitação do meu tio, resolvi criar este blog, mural que pretende servir de ponto de contato, uma espécie de bate-papo na varanda, onde todos possam se encontrar e aconchegar-se numa rede virtual. Despretensiosa como toda boa conversa de varanda.

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